Deus Não Olha para o Que Somos, Mas para Onde Queremos Chegar
INTRODUÇÃO
“Então o anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valente” (Juízes 6:12).
Imagine a cena: um homem escondido num lagar, malhando trigo às escondidas, com medo dos inimigos que saqueiam sua terra. Sua família é a mais pobre de Manassés; ele se considera o menor na casa de seu pai. De repente, um anjo aparece e o chama de “homem valente” — exatamente o oposto do que ele se considerava.
Deus não olha para o que somos, mas para onde queremos chegar.
Israel vivia um ciclo de dor: plantavam, e os midianitas e amalequitas vinham como gafanhotos e roubavam 90% da colheita, deixando apenas 10% para que tivessem forças para plantar novamente — e então voltavam para roubar de novo. Era um ciclo de opressão, medo e derrota.
Mas no meio de milhares de israelitas, Deus escolheu um homem chamado Gideão para mudar a história daquela nação. Não pelos seus méritos, mas pela sua disposição. Gideão poderia ser pequeno e pobre, mas o Deus de Gideão sempre foi rico e grande.
Nesta mensagem, mergulhamos na jornada de Gideão — da oferta rejeitada ao altar restaurado, do medo à coragem, da derrota à vitória. E, no centro dessa história, encontramos uma lição transformadora: a entrega do segundo boi — aquilo que representa o futuro, o melhor, o mais difícil de oferecer — é a chave que desbloqueia quatro bênçãos extraordinárias.
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E CULTURAL
O Ciclo de Opressão em Israel
O livro de Juízes descreve um período de cerca de 300 anos na história de Israel, entre a conquista de Canaã e o estabelecimento da monarquia. Era um tempo marcado por um ciclo recorrente: **pecado → opressão → clamor → libertação → pecado.
Gideão surge no capítulo 6, durante a opressão dos midianitas. Por sete anos, os midianitas, amalequitas e povos do oriente invadiam Israel na época da colheita, destruindo as plantações e deixando apenas o suficiente para a sobrevivência. Israel estava empobrecido, amedrontado e escondido em cavernas e refúgios nas montanhas.
O Lagar e o Trigo
O texto diz que Gideão estava “malhando o trigo no lagar, para o esconder dos midianitas” (Jz 6:11). Normalmente, o trigo era malhado na eira, em local aberto. O fato de Gideão estar fazendo isso dentro de um lagar (geralmente usado para pisar uvas) revela o desespero e o medo daquela época. Era um homem comum, em circunstâncias extraordinárias.
O Significado do Segundo Boi
Segundo o historiador Flávio Josefo, o boi que Gideão ofereceu pesava cerca de 1.000 kg. Era um animal de valor imenso, representando não apenas riqueza, mas também futuro — era o animal que garantiria as próximas colheitas, a reprodução, a continuidade da família. Oferecer o segundo boi era oferecer o melhor, o mais valioso, aquilo que sustentaria o amanhã.
ANÁLISE DOS TEXTOS BÍBLICOS
O Contexto: A Primeira Oferta Rejeitada (Juízes 6:17-21)
Gideão, buscando confirmação, prepara uma oferta: um cabrito e pães ázimos. Ele coloca a carne num cesto e o caldo numa panela. O anjo toca a oferta com a ponta do cajado, e fogo consome a carne e os pães.
Mas há algo significativo: a Bíblia não registra que Deus aceitou aquela oferta como sacrifício de consagração. Gideão ofereceu o que tinha à mão — um cabrito, provavelmente um animal comum, talvez até mesmo imperfeito. Deus rejeitou aquela oferta. Por quê? Porque Deus não queria uma oferta qualquer; Ele queria uma oferta que representasse entrega total.
Após essa experiência, Deus dá a Gideão uma ordem específica:
“Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derruba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar; e edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume deste lugar forte, em camadas de pedras; e toma o segundo boi e oferece-o em holocausto com a lenha do poste-ídolo que vieres a cortar” (Jz 6:25-26).
Deus deu a Gideão uma segunda chance. Mas agora a exigência era maior:
1. Derrubar o altar de Baal (confrontar a idolatria)
2. Cortar o poste-ídolo (eliminar a adoração pagã)
3. Edificar um altar ao Senhor (restaurar o culto verdadeiro)
4. Oferecer o segundo boi (entregar o melhor, o futuro)
AS QUATRO BÊNÇÃOS PROVENIENTES DO SEGUNDO BOI
Quando Gideão obedeceu — mesmo com medo, mesmo à noite, mesmo com apenas dez servos — Deus liberou quatro bênçãos extraordinárias sobre sua vida.
I. DEUS TIRA A FORÇA DOS INIMIGOS
“Estando ele ali sozinho, veio contra ele milhares de inimigos, e a Bíblia diz que Deus tira a força dos inimigos de Gideão de tal maneira que aqueles milhares de midianitas e amalequitas... todos foram reduzidos à força de apenas um só homem” (cf. Jz 7).
Quando Gideão entregou o segundo boi, algo mudou no mundo espiritual. Os inimigos que antes pareciam invencíveis perderam sua força. A multidão que amedrontava Israel foi reduzida a nada.
Princípio espiritual:** Não importa quantos problemas você tem enfrentado. O que importa é o poder que o seu Deus tem para tirar a força de todos eles. Quanto maior for seu problema, melhor — pois assim você não errará o alvo e verá a glória de Deus de forma mais clara.
Referência: “Uns confiam em carros, outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus” (Sl 20:7).
II. DEUS DÁ A FORÇA DE MIL HOMENS
“Eram milhares os inimigos que vinham contra Gideão, que só tinha 300 do seu lado, mas a Bíblia diz que por causa da atitude de Gideão, Deus liberou para ele e seus 300 uma unção para produzirem por mil homens” (cf. Jz 7:7-22).
Deus deu a Davi a destreza de mil homens.
Deus deu a Salomão a sabedoria de mil homens.
Deus deu a Sansão a força de mil homens.
E Deus quer fazer o mesmo conosco: nos revestir de uma unção tão grande que nos fará produzir por mil.
Gideão não venceu pela estratégia militar convencional. Venceu pela unção. Trezentos homens com cântaros, tochas e trombetas não são exército — mas trezentos homens cheios do Espírito de Deus são mais que exército.
Referência: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Tm 1:7).
III. DEUS FAZ OS INIMIGOS PROFETIZAREM A VITÓRIA
“O inimigo de Gideão contava ao seu companheiro que havia sonhado que um pão de cevada rodava contra o arraial dos midianitas e deu de encontro contra a tenda do comandante e eis que esta caiu e se virou de cima para baixo... Então respondeu seu companheiro: Não é isso outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita; nas mãos dele entregou Deus os midianitas e todo este arraial” (Jz 7:13-14).
Deus fez os inimigos de Gideão profetizarem sua própria derrota! Enquanto os midianitas estavam acampados, um soldado contou a outro um sonho que tivera, e o companheiro interpretou: “Isso é Gideão! Deus entregou tudo nas mãos dele!”
Princípio espiritual: Muitas vezes não cremos no que Deus está dizendo sobre nossa vitória. Por isso, Deus mesmo faz nossos inimigos decretarem a nossa vitória na força e no poder do Seu nome.
Referência: “Porque toda a língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor” (Is 54:17).
IV. DEUS ENTREGA OS INIMIGOS NA PALMA DA MÃO
“Tendo ouvido Gideão contar este sonho e seu significado, adorou. E retornou ao arraial e disse: Levantai-vos, porque o Senhor entregou o arraial dos midianitas nas nossas mãos” (Jz 7:15).
Deus colocou os inimigos de Gideão na palma de sua mão. Num dia, os midianitas saqueavam tudo que ele plantava; quando ele decidiu fazer a coisa certa, no outro dia Deus o honrou.
A melhor resposta para o dia de ontem é o dia de hoje. Quem te viu perder ontem terá que ver você ganhar hoje. Derrotado não é aquele que perde, mas aquele que desiste. Se você ainda luta, você não é um derrotado — você é um **mais que vencedor.
Referência: “Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37).
ILUSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA
Imagine um agricultor que perdeu quase toda sua safra por anos seguidos.
Ele está endividado, desacreditado, e sua família já não tem esperança.
Um dia, alguém lhe oferece uma chance: “Plante novamente, mas desta vez use a melhor semente que você tem guardada — aquela que você reservava para o próximo ano. Use o que você tem de mais valioso.”
O agricultor hesita. Se der errado, perdeu tudo. Mas algo nele decide confiar.
Ele planta a melhor semente, cuida com dedicação, e naquela colheita produz mais do que em todos os anos anteriores combinados.
Gideão era esse agricultor. O segundo boi era sua “melhor semente” — o que ele tinha de mais valioso, o que representava seu futuro.
Quando ele decidiu entregar o melhor a Deus, Deus devolveu em vitória muito além do que ele poderia imaginar.
Oferte seu segundo boi — aquilo que dói entregar, aquilo que representa seu futuro — e você verá se cumprindo em sua vida e em toda sua família as quatro bênçãos provenientes do segundo boi.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA SAGRADA. Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana, 1995.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry*. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005.
KEIL, C. F. & DELITZSCH, F. *Comentário sobre o Antigo Testamento*. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010.
MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
SWINDOLL, Charles. Gideão: Homem de Coragem e Fé. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.
WHITE, Ellen G. Patriarcas e Profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999.
CONCLUSÃO:
A história de Gideão nos ensina que Deus não escolhe os capacitados; Ele capacita os escolhidos.
Gideão era o menor na casa mais pobre de Manassés — mas Deus o chamou de “homem valente” porque via nele o que ele poderia se tornar.
As quatro bênçãos provenientes do segundo boi são um convite para todos nós:
1. Deus tira a força dos seus inimigos — não importa quantos problemas você enfrenta
2. Deus te dá a força de mil homens — Ele te reveste de unção sobrenatural
3. Deus faz seus inimigos profetizarem sua vitória — até o inimigo reconhece quando Deus está com você
4. Deus entrega seus inimigos na palma da sua mão — a vitória é certa para quem obedece
Oferte seu segundo boi. Entregue o melhor, o mais difícil, o que representa seu futuro.
Deus não se contenta com restos; Ele merece o primeiro, o melhor, o mais valioso. E quando você entrega o melhor, Ele devolve em vitória.
“Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa” (Nm 23:19).
APELO E ORAÇÃO FINAL PASTORAL
Amado irmão, amada irmã, qual é o seu “segundo boi”? O que Deus tem pedido que você entregue? O que representa seu futuro, seu sustento, sua segurança? Pode ser um projeto, um relacionamento, um sonho, um recurso, uma área da sua vida que você tem resistido em entregar totalmente a Deus.
Lembre-se: Gideão ofereceu um cabrito qualquer, e Deus rejeitou. Mas quando ele ofereceu o segundo boi — o melhor, o mais valioso — Deus liberou bênçãos sobrenaturais.
Hoje, Deus te convida a entregar o seu segundo boi. Não tenha medo. Aquele que pede é o mesmo que prometeu: “Não te deixarei, nem te desampararei”. Oferte o melhor, e Deus fará você produzir por mil.
Oremos:
Pai Santo, em nome de Jesus, nos aproximamos de Ti com o coração aberto. Reconhecemos que muitas vezes temos oferecido a Ti o que sobra, o que não dói, o que não compromete nosso futuro. Perdoa-nos, Senhor.
Queremos ser como Gideão — homens e mulheres que, mesmo com medo, obedecem. Mesmo sendo pequenos, confiam no Deus que é grande. Mesmo diante de inimigos poderosos, creem que Tu tiras a força deles.
Neste momento, entregamos a Ti o nosso “segundo boi” — aquilo que dói entregar, aquilo que representa nosso futuro, aquilo que temos guardado com medo de perder. Confiamos que, quando entregamos o melhor, Tu nos devolves em vitória.
Declaramos sobre cada vida aqui representada:
DOMINGO: Deus está abençoando o seu casamento!
SEGUNDA: Deus está abençoando os seus filhos!
TERÇA: Deus está multiplicando a sua fé!
QUARTA: Deus está multiplicando a sua saúde!
QUINTA: Deus está multiplicando os seus dias de vida!
SEXTA: Deus está multiplicando o seu ministério!
SÁBADO: Deus está te preparando para ser um multiplicador!
Em Cristo Jesus, amém.
APRESENTAÇÃO
Brasileiro, Casado | Residente em Florianópolis/SC
Formação: Teólogo pela FATEC (Faculdade Teológica Cristocêntrica).
Experiência: Ministro do Evangelho com mais de 20 anos de trajetória ministerial.
Projetos: Criador do blog Pérolas de Sabedoria e do canal Faroeste Revelado.
Termos de Uso e Licença
Este material é disponibilizado gratuitamente para fins edificantes e educacionais, podendo ser utilizado por:
Alunos e Professores de Teologia;
Escolas Bíblicas Dominicais (EBD) e Células;
Cultos, Palestras e demais atividades ministeriais.
Condição Obrigatória:
Este esboço é propriedade intelectual do Pr. João Nunes Machado.
A utilização está sujeita à citação da fonte original.
Finalidade: Homilética, Acadêmica e Educacional.
Atribuição: Mencionar Pr. João Nunes Machado
Site: [www.perolasdesabedoria.com.br](http://www.perolasdesabedoria.com.br)
Contato: [joaonunes@perolasdesabedoria.com.br](mailto:joaonunes@perolasdesabedoria.com.br)
Nos laços do Calvário que nos unem,
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