PARTE 3: OS LIVROS APÓCRIFOS – ELES SÃO PALAVRA DE DEUS?
Série 03 de 10 – A Autoridade das Escrituras
🔍O Que a Bíblia Diz: 10 Perguntas ao Catolicismo
Por Pr. João Nunes Machado
Ministro do Evangelho há mais de 20 anos
Formado em Teologia Cristã pela FATEC
Texto-base: Apocalipse 22.18-19 "Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro."*
1. 📌INTRODUÇÃO
A Cena Contemporânea
Você já recebeu uma mensagem no WhatsApp que parecia verdadeira, mas depois descobriu que era falsa?
Na era das "fake news", somos desafiados a verificar a veracidade do que nos é apresentado.
O mesmo ocorre com a Palavra de Deus.
Muitos católicos sinceros carregam suas Bíblias contendo livros adicionais que não estavam presentes na Bíblia original – os chamados
livros apócrifos. Em 8 de abril de 1546, o Concílio de Trento oficializou a inclusão desses livros no cânon católico, uma decisão que causou profunda divisão no cristianismo.
Como escreveu o reformador John Calvin: "A Igreja deve receber e tratar as Escrituras com reverência, mas não tem autoridade para estabelecer o que é Escritura. A Palavra de Deus se autentica a si mesma."
Contexto Histórico e Cultural
A história nos mostra que o cânon do Antigo Testamento foi estabelecido pelo povo judeu muito antes do nascimento de Cristo.
O historiador Flávio Josefo, escrevendo por volta de 90 d.C., confirma o cânon hebraico com 22 livros (equivalentes aos 39 do Antigo Testamento protestante):
"Não temos uma multidão de livros em desacordo e contradição uns com os outros, mas somente vinte e dois livros, que contêm os registros de todos os tempos e são justamente considerados divinos."
Os livros apócrifos incluídos na Bíblia Católica são:
| Livro | Data Estimada | Idioma Original |
|-----------|-------------------|---------------------|
| Tobias | ~200 a.C. | Aramaico/Grego |
| Judite | ~150 a.C. | Grego |
| Sabedoria de Salomão | ~50 a.C. | Grego |
| Eclesiástico (Sirácida) | ~180 a.C. | Hebraico (traduzido para o grego) |
| Baruque | ~150 a.C. | Grego |
| Epístola de Jeremias | ~300 a.C. | Grego |
| 1 Macabeus | ~100 a.C. | Hebraico (perdido) |
| 2 Macabeus | ~100 a.C. | Grego |
| Acréscimos a Ester | ~100 a.C. | Grego |
| Acréscimos a Daniel | ~100 a.C. | Grego |
2. 🔍ANÁLISE EXEGÉTICA E HERMENÊUTICA
O Cânon Fechado (Apocalipse 22.18-19)
O livro de Apocalipse, último livro da Bíblia, encerra o cânon com uma advertência solene:
"Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida."
Análise gramatical:
"Acréscimo" – epitithēmi (ἐπιτίθημι): adicionar, impor algo além do que está escrito
"Tirar" – aphaireō (ἀφαιρέω): remover, subtrair
Embora essa advertência se aplique diretamente ao livro de Apocalipse, ela estabelece um princípio aplicável a toda a Escritura: Deus não tolera acréscimos ou diminuições à Sua Palavra .
O Mandamento do Antigo Testamento (Deuteronômio 4.2)
Moisés já havia estabelecido o princípio:
"Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando."
Aplicação hermenêutica: Este mandamento foi dado na formação da Lei, e o princípio se estende a toda a revelação divina.
Deus não permite que os homens modifiquem Sua Palavra.
A Suficiência das Escrituras (2 Timóteo 3.16-17)
Paulo declara que a Escritura é suficiente para tornar o homem de Deus "perfeito e perfeitamente habilitado". Se a Bíblia já é suficiente, os apócrifos são desnecessários.
O Testemunho do Cânon Judaico
O povo judeu, guardião das Escrituras do Antigo Testamento, jamais aceitou os apócrifos como inspirados. Jesus e os apóstolos também não os citaram como Escritura, e o Novo Testamento nunca os menciona como autoritativos.
3. 🖼️ILUSTRAÇÕES CONTEMPORÂNEAS
Ilustração 1: O Relógio de Ponto
Imagine que um funcionário marca seu ponto de entrada e saída. No final do mês, o patrão verifica os registros. Mas alguém adiciona horas extras que não foram trabalhadas – isso é fraude. Deus não aceita acréscimos à Sua Palavra. Adicionar livros à Bíblia é como fraudar o registro divino .
Ilustração 2: A Receita de Bolo
Uma receita de bolo é testada e aprovada. Alguém decide adicionar ingredientes extras "para melhorar".
O resultado não é o mesmo bolo, mas outra coisa. Adicionar livros apócrifos à Bíblia produz uma fé diferente, não a fé que Deus revelou.
Ilustração 3: O Testamento do Pai
Um pai escreve um testamento para seus filhos, listando todos os seus bens. Anos depois, alguns filhos encontram cartas antigas do pai e dizem: "Essas cartas também devem fazer parte do testamento." Mas o testamento original já estava completo. Se o pai quisesse incluir aquelas cartas, ele o teria feito.
4. 📊 ANÁLISE DOS ERROS NOS APÓCRIFOS
| Livro | Problema Doutrinário | Contradição Bíblica |
|-----------|--------------------------|------------------------|
| Tobias | Ensina que a esmola expia pecados (Tobias 4.11) | Contradiz Hb 9.22 – "sem derramamento de sangue não há remissão" |
| Judite | Contém erros históricos: Nabucodonosor é descrito como rei da Assíria (Judite 1.1) | Contradiz fatos históricos verificáveis |
| Sabedoria de Salomão | Ensina criação do mundo a partir de matéria preexistente (Sb 11.17) | Contradiz Gn 1.1 – Deus criou do nada (ex nihilo) |
| Eclesiástico | Ensina que esmolas expiam pecados (Eclo 3.30) | Contradiz Ef 2.8-9 – salvação pela graça, não por obras |
| Baruque | Fala de Deus ouvir orações dos mortos (Bar 3.4) | Contradiz Lc 16.26 – há um abismo entre vivos e mortos |
| 2 Macabeus | Ensina oração pelos mortos (2 Mac 12.43-45) | Contradiz Hb 9.27 – "depois da morte, o juízo" |
| II Macabeus | O escritor pede desculpas por erros (2 Mac 15.38-39) | Livro inspirado não conteria erros |
A Questão do Idioma
Os apócrifos foram escritos em grego, enquanto o Antigo Testamento original foi escrito em hebraico e aramaico.
Isso sugere que foram escritos após o fechamento do cânon hebraico.
5. 💬APLICAÇÃO PASTORAL
O Que a Igreja Primitiva Pensava
Os Pais da Igreja, nos primeiros séculos, não consideravam os apócrifos como canônicos:
Jerônimo (340-420 d.C.), tradutor da Vulgata, distinguiu claramente entre os livros canônicos e os apócrifos, chamando-os de "não canônicos"
Atanásio (296-373 d.C.), em sua carta pascal, listou os livros do Antigo Testamento sem os apócrifos
Orígenes (185-254 d.C.) afirmou que os apócrifos não fazem parte do cânon
Como Devo Proceder?
1. Não confie nos apócrifos como inspirados – eles contêm erros doutrinários e históricos
2. Use apenas a Bíblia de 66 livros – é a Palavra completa de Deus
3. Examine as doutrinas católicas – muitas se baseiam nos apócrifos (ex: purgatório, oração pelos mortos)
4. Ensine a verdade – ajude outros a conhecerem o cânon correto
O Perigo dos Acréscimos
Quando a Igreja incluiu os apócrifos, ela também incluiu ensinamentos que contradizem a Palavra de Deus. Como escreveu Martinho Lutero: "Os apócrifos contêm muitas coisas boas, mas não são palavras inspiradas por Deus. Eles não devem ser usados para estabelecer doutrina."
6. 🙏 ORAÇÃO FINAL PASTORAL
"Senhor Deus, Autor de toda a verdade, agradecemos pela Tua Palavra perfeita e completa. Perdoa-nos por tantas vezes termos preferido os ensinamentos humanos à Tua revelação. Guarda-nos de aceitar acréscimos à Tua Palavra. Dá-nos discernimento para reconhecer a verdade e rejeitar o erro. Que o Teu Espírito nos guie a toda a verdade, como prometeste. Em nome de Jesus, o Verbo que Se fez carne, Amém."
7. ✅CHAMADA PARA AÇÃO
1. Adquira uma Bíblia com 66 livros – evite versões que incluam os apócrifos
2. Estude a história do cânon – entenda como a Bíblia foi formada
3. Ensine outros sobre os apócrifos – ajude-os a discernir a verdade
4. Compare doutrinas com a Palavra – não aceite ensinamentos sem confirmação bíblica
5. Confie na suficiência das Escrituras – a Bíblia é tudo o que você precisa para salvação e vida cristã
8. 📚REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida.
2. CONCÍLIO DE TRENTO. Sessão IV – Decreto sobre a Recepção dos Livros Sagrados e das Tradições. 1546.
3. GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
4. JERÔNIMO. Prefácio aos Livros de Salomão. In: Vulgata Latina.
5. JOSEFO, Flávio. Contra Ápio. Livro I, capítulo 8.
6. LUTERO, Martinho. Prefácio aos Livros Apócrifos. In: Bíblia Alemã, 1534.
7. SPROUL, R.C. Conhecendo as Escrituras. São Paulo: Cultura Cristã.
8. ATHANASIUS. Carta Pascal 39. 367 d.C.
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🔗TERMOS DE USO
Este material pode ser utilizado gratuitamente por:
Alunos de escolas teológicas
Professores da Escola Bíblica Dominical
Cultos e congregações
Palestras e células de estudo
Cite a fonte:📧 Contato: joaonunes@perolasdesabedoria.com.br
🤝Nos laços do Calvário que nos unem,
Pr. João Nunes Machado✍️📜
Casado, Brasileiro, reside em Florianópolis – SC
Formado em Teologia Cristã pela FATEC
Ministro do Evangelho há mais de 20 anos
❓PERGUNTAS PARA REFLEXÃO EM GRUPO
1. Por que o Concílio de Trento incluiu os apócrifos no cânon católico, 1500 anos depois de Cristo?
2. Jesus citou os apócrifos em algum momento? O que isso nos ensina?
3. Quais doutrinas católicas se baseiam exclusivamente nos apócrifos?
4. Como você explicaria a um amigo católico por que os apócrifos não são inspirados?
5. Qual a importância do cânon bíblico para a nossa fé?

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